UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS Goiânia, 27 de Outubro de 2026 ( UFGNet )

Visualização da Ação de Extensão


Ação de Extensão
Título: A História da Psicanálise em Goiânia
Ano: 2026 Nº Bolsas Concedidas: 0 Nº Discentes Envolvidos: 2 Público Estimado: 25
Área Principal: Cultura Área do CNPq: Ciências Humanas
Unidade Proponente: FACULDADE DE HISTÓRIA Unidades Envolvidas:
FACULDADE DE HISTÓRIA / UFG
Tipo: PROJETO
Municípios de Realização: Goiânia - GO
Espaços de Realização:
Fonte de Financiamento: SEM FINANCIAMENTO
Url da Acão: https://sigaa.sistemas.ufg.br/sigaa/link/public/extensao/visualizacaoAcaoExtensao/15650


Resumo

A aproximação entre História e Psicanálise e a investigação da pertinência metodológica da mesma, através do uso comum de conceitos como esquecimento, silêncio, trauma, memória, recalque, inconsciente, fetiche, desejo, castração, etc., além do uso da mitologia grega para dar suporte às abordagens feitas por ambas as áreas, já são conhecidos por quem busca na literatura especializada esclarecimentos sobre (para ficar em poucos exemplos, De Certeau, Gay, Derrida, Barthes). Pode-se afirmar o mesmo sobre a História da Psicanálise, principalmente no que toca às biografias de expoentes da área, como a de Sigmund Freud (com destaque para as pesquisas e publicações de Enerst Jones, Peter Gay, Elisabeth Roudinesco), de Anna Freud (Elisabeth Young-Bruehl), de Melanie Klein (Phyllis Grosskurth), de D.W. Winnicott (Adam Phillips), de Carl Gustav Jung (Nise da Silveira, Barbara Hannah, Sonu Shamdasani, Deirdre Bair, além do próprio Jung em sua autobiografia), de Jacques Lacan (Elisabeth Roudinesco, Catherine Millot), etc. Quanto à História da Psicanálise, esse projeto pretende ir a campo inquirir experientes analistas de Goiânia sobre suas memórias acerca da inserção do ofício criado por Freud por essas terras, com a finalidade não só de criar um arquivo de memórias sobre a Psicanálise em Goiás e uma historiografia relacionada, mas também a de compreender como o início do ofício arou o terreno não só para a atuação de novos psicanalistas, como também deu azo para a criação de escolas de formação em Psicanálise. “Ao procurar compreender por que a psicanálise tinha se implantado em certos países e não em outros” indica a historiadora e psicanalista francesa Élisabeth Roudinesco, “constatei que as duas primeiras causas de aceitação ou de rejeição nunca decorriam de um obstáculo mental ou cultural, mas de um contexto histórico, por um lado, e de uma situação política, por outro” (ROUDINESCO apud Lima, 2021, p.13). Assim, partindo da Psicanálise como “alternativa crítica” (Dunker, 2024, p.XIX), esse projeto pretende perquirir como o contexto histórico e a situação política local puderam dar ensejo à prática da ciência de Freud em Goiânia. Sobre o contexto brasileiro, Dunker destaca que “entre 1963 e 1984, a psicanálise terminou seu processo de institucionalização e reconhecimento internacional. Ela passou por uma intensa disseminação cultural nos anos 1970, impulsionada pelo desejo de progresso e modernização. Aproximando-se cada vez mais das classes médias emergentes e do entranhamento no debate cultural, as ideias de Freud tornaram-se uma das peças decisivas tanto da modernidade quanto da modernização e do modernismo das famílias brasileiras” (2024, p.XVII). Quanto às investigações que relacionam História e Psicanálise, ainda escassas segundo Braga (2021, p.15), perquirir os analistas, dentro dos limites éticos das profissões, sobre como fatos históricos da história do tempo presente foram capazes de mobilizar, traumatizar, comover analisantes, ao penetrarem seus consultórios e estabelecerem pontos relevantes na relação entre analista e paciente poderá ensejar caminhos aos propósitos enunciados anteriormente. Tais fatos, sejam eles de ressonância mundial, como a pandemia do Covid-19, nacional e/ou regional, como as cicatrizes deixadas pela ditadura militar (como a Psicanálise aportou em Goiânia, numa sociedade tão desigual, e sobreviveu à censura e a repressão militar?) e as expectativas criadas e (não) atendidas durante o período de redemocratização, o acidente com o Césio 137, etc., acionam metáforas sensíveis à Psicanálise e à História, tanto na dimensão individual quanto na coletiva - Freud fala em “comunidade cultural” em “O mal-estar na civilização” (2010, p.72) -, como memória, conflitos em torno da memória, trauma, silêncio, esquecimento, dentre outros. Algumas questões poderão ser melhor atendidas, a partir do que se propõe, como a seguinte: pode o silenciamento de fatos traumáticos coletivos, além de apagamento político (escapatória dos perpetradores da violência), ser algum sintoma do indivíduo que lembra/esquece: Para Dunker, são sintomas sociais “racismo, desigualdade social, iniquidade de gênero, fobias identitárias e orientações sexuais” (2024, p.XX). Eles estão na ordem do individual? Sobre o período autocrático militar mais recente, Dunker assinala que “o que resta da ditadura permanece e retorna, de modo deformado, em novas irrupções de violência e corrupção. Em vez de monumentos e de reprimendas históricas aos torturadores e colaboracionistas, silêncio e repetição. Em vez de elaborações institucionais, revisões e atos de demarcação, apagamentos” (2024, p.XVIII). – Resumindo em palavras freudianas, recordar, repetir e elaborar. Retornando em Dunker, “(...) o antes chamado campo psicanalítico, com seus atores e suas gramáticas de reconhecimento entre pares, diluiu-se em um problema de massa, com fronteiras porosas e crises de crescimento, comportando agora várias psicanalises, ou movimentos psicanalíticos, suas aspirações coletivas e a autonomia relativa, de ação e reação, de impulso e de expressão” (2024, p.XXI).


Público Alvo

Pesquisadores da História



Membros da Equipe

  YUSSEF DAIBERT SALOMAO DE CAMPOS
Categoria: DOCENTE
Função : Coordenador
  PRISCILLA CARREIRO RODRIGUES DE LIMA
Categoria: EXTERNO
Função : Colaborador
  MARIANA CARRIJO MEDEIROS
Categoria: DISCENTE
Função : Integrante da Equipe

  ZANDELLI LIRA CRUVINEL
Categoria: DISCENTE
Função : Integrante da Equipe
  RAFAEL SADDI TEIXEIRA
Categoria: DOCENTE
Função : Vice-coordenador


Lista de Fotos

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